Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação. Se você continuar no site, consideraremos que está de acordo com nossa política de Privacidade e de Cookies


Universo literário ao redor

 22/01/2020    0    0    359  

Premiada duas vezes pela Academia Pernambucana de Letras, a oficiala de Justiça do TRT6, Geovania Freitas, se dedica à escrita desde a adolescência.

As madrugadas insones são extremamente produtivas para a oficiala de Justiça do TRT de Pernambuco, Geovania Freitas. Quando não resta energia e tempo para escrever durante o dia, ela aproveita o silêncio da noite para criar histórias e personagens.

A inspiração vem das figuras com as quais ela se depara em diligências, há mais de 20 anos, “nem sempre são comuns. A Justiça do Trabalho trata de casos bastante sociais, de modo que conhecer os atores dos processos, fora dele, é conhecer a nossa sociedade”, explica.

A paixão pelo Nordeste e por sua própria vida também são fontes inesgotáveis de inspiração para a escritora, “assim como a história de sobrevivência da minha família, mas o poder de observação é um laboratório para se criar personagens e criar um mundo lúdico para acomodá-los”.

Expansão do mundo de conhecimento

Aos 13 anos, Geovania finalizou seu primeiro romance. “Depois escrevi mais dez romances,  publiquei  um  e  dois livros de poesia. Minha família tinha dificuldades financeiras e eu só tinha acesso aos livros emprestados. Depois descobri a biblioteca pública e meu mundo de conhecimento se expandiu desde então.”

Geovania lê entre 20 e 25 livros por ano e afirma que adora os grandes clássicos, e “de literatura brasileira os regionais (universais): Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Domingo Olimpio, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e João Guimarães Rosa. E tantos outros escritores brasileiros maravilhosos como Machado de Assis, Érico Veríssimo,
 
Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro. Na poesia há Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Ferreira Goulart”. Além da leitura, ela relembra a efervescência cultural de sua cidade natal, Pesqueira, localizada no Agreste de Pernambuco, na década de 1980. “A gente tinha necessidade de música (as serestas eram no meio da rua), cinema (só tinha um na cidade), poesia na escola, prosa, romance, conto, enfim, arte era o que nos salvava quando quase tudo era proibido. Na minha casa não tinha televisão (por falta de dinheiro), e a arte viva era meu universo”, diz.

Alquimia literária

Enquanto escritora, ela explica que não possui um processo criativo. “O processo criativo é que me possui, a inspiração é quem manda em mim, se ela não vem, não adianta forçar. Algumas vezes a inspiração vem e em questão de minutos o poema está pronto, o conto, o capítulo do livro está escrito, esteja onde eu estiver, no computador ou num guardanapo a escrita sai. Mas, outras vezes, é necessário anos para se criar o que estou tentando. É claro que um escritor não se torna de um dia para o outro. O conjunto de experiências vividas e observadas, a formação, as leituras, as pesquisas, tudo isso faz parte do processo de composição de um personagem e do desenvolvimento de uma ideia para escrever um livro.”

Suas histórias são povoadas por homens simples e trabalhadores do campo, “assim como os poetas, os filósofos, os boêmios, os amados, os desamados, os invejosos,  os  bem humorados também aparecem. E isso tudo pode ser simplesmente criado ou é fruto da vivência ou da observação de pessoas que por mim passam (ou eu passo por elas)”, afirma.

Para ela, a “alquimia literária” ainda está em processo de descoberta. “Mas como a literatura é paixão e amor na minha vida, eu continuo escrevendo e publicando. Não é fácil num país onde se lê pouco e se tem tão poucos incentivos à leitura. O que é uma pena.”

Questionada sobre a motivação para continuar escrevendo, ela responde: “Eu acho que a desigualdade social no Brasil é tão perene, que quem derrubou os muros da pobreza, como eu, sente vontade de falar sobre isso seja em conto, romance ou poesia. Mas não gosto de falar de modo piegas, não, gosto de tocar com leveza o incontestável e salvar o leitor com humor espontâneo.”

Publicações premiadas

Geovania publicou, até agora, quatro livros, dois deles premiados pela Academia Pernambucana de Letras. “Em 2007 publiquei ‘Curvas do Tempo’ (poesia), o livro foi apresentado na Livraria Saraiva e também em Saint Prex, na Suíça, para  a comunidade de Língua Portuguesa. Em 2008 publiquei ‘Pernambucana’ (romance regional), que  foi  apresentado  na Aliança Francesa com uma peça teatral, em Lausanne, Suíça, participou da Bienal de São Paulo, e ganhou o  Prêmio de  melhor  Livro  de  Escritora  Nordestina  da  Academia Pernambucana de Letras. Em 2009 publiquei ‘Noites Claras’ (poesia); e agora ‘O Inquilino Palhaço e Outros contos’, em 2019, ganhador do Prêmio de melhor Livro de Escritora Nordestina da Academia Pernambucana de Letras.”

Enquanto a aposentadoria não chega, ela vai embalando sua realidade e memórias em sonhos. Nas noites de insônia, ela troca os sonhos por personagens e histórias.

Adquira os livros publicados pela servidora Geovania Freitas pela página da escritora no Facebook: @geovaniafreitasescritora.

*A íntegra desse perfil está disponível na edição de dezembro da Revista ANAJUSTRA em Pauta. Se você optou por não receber o exemplar impresso, leia online, acessando a página "publicações" do site.