"A poesia foi a minha salvação", afirma servidora do TRT2

 18/04/2019    0    0    419  

Scheilla Brevidelli é autora do livro de poemas "Flores que Voam".

“A escrita é uma atividade importante para mim desde criança, eu já levava muito a sério o momento de redigir redações e até fui escolhida para escrever o discurso de formatura do colegial no Colégio Mackenzie.”


Apesar da escrita fazer parte do cotidiano de Scheilla Brevidelli, inclusive nas funções desempenhadas no TRT2, a poesia “surgiu como atividade quase involuntária em 1995, quando a inspiração vinha e eu tinha que sair correndo, pegar um papel e redigir, abrir espaço para essa voz que precisava se expressar. Como diz Octávio Paz, é um misto de mistério e problema psicológico: é como se não fosse a voz do próprio poeta. O motivo para escrever sempre foi elaborar conteúdos internos de minha própria vida e experiência. Repetindo Octávio Paz: a poesia foi a minha salvação!”.


Scheilla encontrou uma maneira de fazer fluir o processo criativo poético. “Preciso me desligar do mundo cotidiano e dos problemas e descobri que a música consegue ser esse elo da comunhão com a leveza e a criatividade e por conta disso há vários poemas que falam sobre esse movimento. Reflito sobre um tema, e me concentro ouvindo música e então começo a escrever. Outras vezes o tema surge involuntariamente, mas percorro o mesmo caminho da música como facilitadora do processo.”


Além da música, a poeta se inspira em outras criações de brasileiros e estrangeiros, feitas em prosa ou verso. “Uma referência muito importante para mim foi a prosa poética de Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas foi um marco em minha vida, como exemplo da prosa criativa, sonora e fecunda. Outro marco foi o livro 'Relembramentos: João Guimarães Rosa, meu pai', um livro que fala muito da vida de João Guimarães Rosa através dos olhos de uma filha amorosa, Vilma Guimarães Rosa K. Reeves, e como ela eu me identifiquei com meu pai funcionário público e poeta. Também me chamaram muito a atenção os poemas fortes de Maiakovisk, os expressivos poemas de Pablo Neruda, a narrativa de Milan Kundera, de Albert Camus, dentre outros.”


O primeiro livro


O sonho de lançar um livro autoral foi materializado pela Desconcerto Editora, que se propõe a publicar obras de autores iniciantes ou veteranos. Para Scheilla: “Todos que escrevem tem uma voz e o importante é que ela seja ouvida e entendida pelo maior número possível de leitores. O diferencial para mim é ter uma escrita autêntica, autobiográfica e analítica, num mundo marcado pela superficialidade e falta de sentimentos sinceros”.


A primeira obra da escritora carrega tudo que ela valoriza: “Flores que Voam tem uma escrita autoral e autobiográfica, uma verdadeira reflexão sobre minha vida, meu relacionamento com as pessoas e um mergulho em meus sentimentos”, diz.


O poema que intitula o livro foi escrito por Scheilla em homenagem ao pai e a relação entre os dois, repleta de poesia, desde a infância.


Flores que voam


“As borboletas parecem flores que voam”

Das lembranças da infância as palavras ecoam

E assim papai me descobriu poeta

E eu sem entender, com cara de pateta

Tão pequenininha, fiquei atordoada

Por que tanta alegria? Eu não atinava

Hoje as flores voam e eu lembro tudo

Tínhamos o mesmo olhar: eu e o papai Hugo

Entrelaçando amor, cor e poesia

Víamos beleza onde ninguém via


Além da publicação de uma seleção de poemas no livro, Scheilla compartilha outras criações em um blog, especialmente no formato de crônicas: https://umaprosaboa.wordpress.com. Para entrar em contato com a escritora, envie mensagem para um dos perfis nas redes sociais Instagram ou Facebook.


O livro “Flores que Voam”  está à venda pelo site da Desconcerto Editora e custa R$ 35,00.


Confira a seguir mais um poema escrito por Scheilla sobre a importância da música em sua rotina.

 

Elo perdido...


 A Antonio Dias,

o "cara" que me lembrou da importância da música

 

Minha cabeça estremece e pensa

Num turbilhão interno, me vejo tensa

Mas é só ouvir a música e tudo para

O mundo não existe, e em mim ninguém repara

Num giro inverso e profundo

Mergulho nas cores e na magia de um outro mundo

Um mundo de paz e de harmonia

E nele me embalo em suave alegria

E com ele me descubro humana

Vibrando numa escala não mundana

Em que o ódio, o medo e a tristeza se dissolve

Numa teia em que a luz e o amor me envolve

Pois é na música que é possível a comunhão

Tão esquecida nesse mundo de ilusão