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Uma homenagem da ANAJUSTRA em comemoração 
ao Dia do Servidor Público sob três perspectivas

Homenagem da diretoria

Nesta data festiva para os servidores públicos de todo o Brasil, a ANAJUSTRA celebra junto com toda a categoria os bons resultados da Justiça do Trabalho nos últimos anos. Somos o ramo do Judiciário que mais concilia e, conforme o relatório Justiça em Números 2018, um dos mais produtivos.
No dado geral do Poder Judiciário, cada servidor baixou, em média, 151 processos - aumento de 7,1% na produtividade em 2017 em relação a 2016. Na Justiça do Trabalho, o ganho foi de 8,8% em relação ao ano anterior.
Além disso, o dia a dia nos Tribunais revela ser inegável que estamos prestando um melhor serviço à população, que temos quadros cada vez mais qualificados e processos muito mais eficientes que há alguns anos. Exemplo disso é o PJe.
Sabemos que um longo caminho a ser percorrido em busca de maior celeridade e efetividade processual, mas não podemos minimizar conquistas tão expressivas como essas.
Neste Dia do Servidor queremos exaltar a atuação de cada analista, técnico e auxiliar judiciário, pois tais avanços são frutos do trabalho diário, incansável e desafiador de cada um deles.
Com orgulho, parabenizamos nossos associados e reforçamos nosso compromisso de representar juridicamente a categoria - fortalecendo e valorizando-a - e também oferecer serviços de qualidade aos servidores e suas famílias.

Parabéns, servidor!
Diretoria ANAJUSTRA


Histórias de vida e trabalho: servidora do TRT2 compartilha o cotidiano como secretária de audiência 

Elisangela Popi atua há oito anos no maior Tribunal Regional do Trabalho do país, em São Paulo. 

Engajamento

Elisangela Popi, servidora do TRT2

Antes de completar 18 anos, Elisangela Popi tinha duas metas: fazer a Carteira Nacional de Habilitação e passar em um concurso público. Aos 43 anos, ela pode enumerar suas conquistas profissionais: é formada em Direito e atua há 20 anos no serviço público, sendo oito deles no TRT2, o maior do Brasil. “Eu já tive algumas experiências em escritório. Fui demitida, e ser demitida me causava muita chateação. Meu desejo era um lugar que eu pudesse trabalhar tranquila sem essa preocupação de ser demitida porque a ‘empresa está ruim’ ou por alguma conveniência. Eu queria uma carreira estável”, disse.
 
Atraída pela estabilidade do serviço público, ela trabalhava no Ministério Público do Estado de São Paulo, onde atuou por doze anos, e também estudava para concursos. “Aquela história que você respira concurso. Eu comecei a prestar concurso para Procuradoria-Geral que cai Direito do Trabalho, e nisso o concurso de Analista surgiu no meio de um milhão. Eu fui prestar o concurso do TRT de São Paulo meio despretensiosa, fiz a prova tranquila e eu acho que isso acabou contribuindo para o sucesso porque eu não fui com muita cobrança, sabe? Eu fui muito bem na prova. Passei no concurso de 2008 e fui chamada em 2010”, relembrou.
 
Ao tomar posse no TRT2, ela notou a variedade dos sotaques dos novos colegas que saíram de vários lugares para trabalhar na capital paulista. Natural de São Paulo, Elisangela era acostumada com as dimensões da cidade, mas se assustou com o volume de processos do Tribunal. “Nos primeiros dias eu quase não dormi porque eu sonhava com petições, processos... Tive um pouco de medo porque eu tinha vontade de dar conta daquilo, mas o volume era assustador. Nem se trabalhasse sem respirar eu ia conseguir. Aos poucos eu fui entendendo que as demandas são muitas, tem muita coisa, mas que a gente vai dar o melhor e vai conseguir resolver aos poucos (olho). O ritmo é um pouco mais lento. E eu estava acostumada a uma coisa mais momentânea onde eu trabalhava. As demandas eram rápidas, urgentes; fazia, terminava e ponto. Chegando aqui você percebe que é um turbilhão de coisas.”

A função na secretaria
 
Nesse turbilhão ela encontrou a função que exerce até hoje: Elisangela é secretária de audiência. Após trabalhar na parte administrativa da secretaria, fazer atendimento no balcão, e compreender os trâmites dos processos, ela teve certeza que gostaria de atuar durante as audiências. Quando uma colega tirou férias, a servidora teve a oportunidade de testar suas habilidades de digitação e comunicação e encontrou sua função preferida na JT. 
“A audiência é o momento em que tudo acontece e é muito rápida. Não pode ser passiva, e precisa estar atenta a tudo. Quando termina a audiência você respira, assim, ‘graças a Deus’ (risadas). Você está chamando e correndo contra o tempo, digitando tudo que o juiz fala porque ali é quando as partes se encaram e vão resolver. Tentar negociar, ou se não negociam, é preciso ouvir as testemunhas. É um momento de tensão.”
 
Ao entrar em contato com tantas histórias de vida, Elisangela afirma que alguns reclamantes chegam ao local com a expectativa de encarar um Tribunal como retratado nos filmes estadunidenses. “A pessoa chega com uma esperança e a gente está ali canalizando tudo isso, né? O juiz orientando, conduzindo, e a secretária ajudando da melhor forma. Para o reclamante o importante é receber. Ele precisa daquele dinheiro, relativo àquele trabalho pelo qual não foi pago”, disse.
 
Após oito anos em contato com diversos trabalhadores e suas histórias, entre eles, motoristas de ônibus, bancários e vendedores, a percepção dela mudou, ao conhecer os bastidores de cada profissão. “De repente se você está numa loja, você começa a ver o vendedor de outro jeito, sabe? Começa a pensar tudo aquilo que ele vive, que ele sente. Você começa a ver as coisas de outra maneira porque ouve as histórias.”

Perspectivas
 
Sem pretensões de retornar à rotina de concursos, Elisangela busca se manter atualizada fazendo cursos e alcançou tranquilidade na profissão e na vida, ela também se dedica ao filho pequeno. “O mundo atual está meio confuso. A gente vê um ataque muito grande a servidores. Parece que todas as propostas dos novos governos sempre há uma indicação de que o servidor é privilegiado.”
 
Ela se mantém informada a respeito do cenário político e da legislação trabalhista e procura não desanimar. Se pudesse dar um conselho a quem ainda está buscando seu lugar no serviço público, Elisangela diria: “continue lutando, estudando, que vai haver uma recompensa um dia. A pessoa não pode desistir e deve batalhar sempre. Essa é a minha história.”  

Cenário Nacional 

No Brasil, milhares de servidores públicos atuam nas três esferas — municipal, estadual e federal, prestando serviços essenciais ao Estado e à população, garantindo assim o funcionamento da sociedade como um todo.

Estima-se que hoje, 1,3 milhões de pessoas trabalhem em prol do interesse púbico e do bem comum nas áreas da justiça, saúde, educação, segurança, entre outras.

Seja de forma direta ou indireta, com vínculo empregatício estável, esses trabalhadores desempenham um importante papel para a sociedade e representam 11% da população economicamente ativa do país.

"11% da população economicamente ativa do país desempenha funções em prol do interesse público, em diversas áreas."

Em 2013, houve um salto no número de servidores públicos no país, e 11,4% da força de trabalho do país era representada pelos trabalhadores dos Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário.

A cada ano, o número de servidores vem aumentando consideravelmente, mas numa perspectiva mundial, o Brasil ainda está atrás de muitos países de primeiro mundo que têm um número expressivamente maior de servidores públicos em relação à população.

Um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), em 2015, ranqueou os países com os maiores índices de servidores púbicos por total de habitantes.

O Brasil, assim como outros países da América Latina, não entrou na lista, isso porque, o índice de servidores por habitante é consideravelmente abaixo da média dos países desenvolvidos.

De acordo com o relatório, 12 a cada 100 trabalhadores brasileiros são servidores públicos, o que representa cerca de 1,6% da população.

Perfil do servidor público

Homens são maioria

Os últimos levantamentos revelam que a grande maioria é do sexo masculino e corresponde a 62% do total de quadro de servidores. No poder Executivo, por exemplo, eles representam 80%, enquanto no Legislativo e no Judiciário os percentuais são de 56% e 49%, respectivamente.

Escolaridade

Ainda sob esse recorte, a maioria dos servidores têm entre 30 e 50 anos. Os profissionais dessa faixa etária representam 45%. E, quanto à formação, 52% tem nível superior.

Vínculo

A maioria dos vínculos empregatícios é com o Poder Executivo com 54.07% (570.5 mil), seguido pelo de Autarquia com 25.61% (270.2 mil), o Poder Judiciário com 10.14% (107 mil), outros vínculos chegam a 7.74% (81.7 mil) e por último o Poder Legislativo com 2.45% (25.8mil).

Salários

Os salários dos funcionários públicos são pagos pelos cofres públicos, dependendo da localidade. Se for municipal, são pagos pelas prefeituras; se estadual, pelos governos estaduais; e se federal, pagos pelos cofres da União.

As carreiras atrativas

A cada concurso, o número de candidatos aos cargos de analista e técnico judiciário batem novos recordes. No Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, o último certame teve mais de 160 mil inscritos. De acordo com um comparativo do Regional, o número é cerca de 37% maior que o dos inscritos no concurso de 2013.

Ainda conforme o levantamento do TRT, entre os cargos/áreas oferecidos, “os destaques ficam por conta dos candidatos que disputam uma vaga para Analista Judiciário – Área Administrativa, que registra mais de 24 mil inscritos desta vez, contra 12 mil em 2013, ou seja, a procura dobrou. Os que tentam uma vaga para Técnico Judiciário – Área Administrativa são hoje 85 mil, contra 63 mil em 2013 (35% a mais), e o universo dos inscritos para Analista Judiciário – Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal soma hoje 5,7 mil candidatos, contra 3,4 mil em 2013 (67% a mais) ”. No Rio, o total de inscritos para o concurso deste ano também passou dos 100 mil.

Números e resultados:
o servidor no Judiciário 

Segundo o “Justiça em Números 2018” (ano-base 2017), a JT tem 40.712 servidores, sendo 38.376 efetivos, 2.166 cedidos/requisitados, 170 sem vínculo, além de 12.343 auxiliares. Isso apenas nos Regionais, pois o Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui mais 2.147 serventuários, 1.809 efetivos, 293 cedidos/requisitados, 45 sem vínculo e mais 1.415 auxiliares. Esse montante, incluindo o de magistrados, é responsável pelos bons resultados da JT em quase todos os índices apontados no relatório.

No tocante à conciliação, por exemplo, o Judiciário Trabalhista segue como o ramo da Justiça que mais promove acordos entre as partes, com 24,8% dos processos solucionados dessa forma. 

O índice é bem superior à média do Poder Judiciário (12,1%) e das justiças estadual (10,7%) e federal (7,1%).

Carga de trabalho 

produtividade

do servidor

Três indicadores medem a eficiência da justiça:

1.

Quantitativo
de casos novos

A soma de todos os processos que ingressaram ao longo do ano.

2.

Carga de trabalho

O número de processos pendentes e resolvidos no período, incluindo não somente os processos principais, como também os recursos internos e os incidentes em execução julgados e em trâmite.

3.

Produtividade por magistrado e por servidor da área judiciária 

Relação entre o volume de casos baixados e o número de magistrados e servidores que atuaram durante os 12 meses na jurisdição. 

Em referência aos servidores (IPS-JUD), percebe-se que o índice de produtividade e a carga de trabalho assumem comportamento similar ao longo da série histórica: leve queda entre 2009 e 2010, leve alta entre 2014 e 2015, etc. Entretanto, o documento não aponta quais os possíveis significados e consequências dessa conexão.

No dado geral do Poder Judiciário, cada servidor baixou, em média, 151 processos - aumento de 7,1% na produtividade em 2017 em relação a 2016. Na Justiça do Trabalho o dado também subiu, ganho de 8,8% em relação ao ano anterior.

A carga de trabalho foi de 561 casos, computados o acervo, os recursos internos e os incidentes em execução. Mesmo desconsiderando os casos pendentes, que estavam suspensos ou sobrestados ou em arquivo provisório, a carga de trabalho dos servidores aumentou para 491 na média de todos os ramos da Justiça. Na JT, a carga passou de 336 para 359, quando considerados todos os processos, e de 294 para 317, se levados em conta apenas os principais.

Passado, presente e mais números

Segundo o autor do livro “Um funcionário da Monarquia”, Antonio Cândido, a história do funcionalismo público no Brasil começa com a chegada da corte portuguesa que fugia de Napoleão. Naquela época os funcionários eram indicados, promovidos e demitidos ao bel-prazer dos poderosos. Prevaleciam o nepotismo e o apadrinhamento.

Somente nos anos 30, do século passado, é que ocorreu o primeiro avanço digno de registro. Criado o Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), incumbido de levar ordem à caótica máquina estatal, foram organizados os primeiros concursos públicos no pais.

Na década seguinte, o Dia do Servidor foi instituído pelo então presidente Getúlio Vargas porque esta é a data do Decreto 1.713/39, um dos primeiros documentos do Brasil com normas sobre funcionários públicos.
O termo “funcionário público” foi trocado para “servidor público” em 1990, com o Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União.

Marcada por estereótipos herdados da sua origem, a imagem dos que atuam no setor público vem sendo transformada, especialmente, após a Constituição de 88, que tornou os concursos obrigatórios promovendo o ingresso de pessoal qualificado aos quadros públicos. Não só por isso. Na contemporaneidade, os governos e suas instituições também são obrigados a prestar melhores serviços ao cidadão, o que estimula a profissionalização dos que estão do outro lado do balcão.

O Censo do Judiciário de 2013 traz dados que confirmam isso. Conforme o levantamento, realizado no ano de 2013, embora a maioria (66%) dos servidores efetivos do Poder Judiciário não ocupe cargos de nível superior, 73% deles possuem nível superior completo ou alguma pós-graduação (destaque box/olho).

Ainda de acordo com o documento, um possível indicador de subaproveitamento dos servidores é que 83% deles acreditam ter potenciais maiores que as exigências do trabalho. No entanto, quase todos os servidores (98%) acreditam que o próprio trabalho melhora o desempenho do tribunal.

Novos marcos regulatórios 

Confira as inovações legislativas e administrativas, além dos projetos de lei, com maior potencial de impacto na rotina dos servidores públicos. 

Os últimos anos têm sido críticos tanto no sentido fiscal quanto no sentido político. Além da contenção de gastos, o Congresso Nacional e o Poder Executivo vêm tomando uma série de medidas que indicam adesão à tendência de reforma do Estado brasileiro. Essas novidades nas leis e nas normas gerais da administração da burocracia têm diferentes impactos na vida do servidor e na prestação do serviço público à sociedade.

Abaixo, selecionamos algumas das principais mudanças recentes sobre esse assunto.

Emenda Constitucional (EC) 95 

Conhecida como “PEC do Teto” ou “PEC dos Gastos”, ou ainda, “PEC do Teto de Gastos”. Não há como falar da disposição estatal reformista sem citar esta emenda. Aprovada em 2016 e válida por 20 anos, ela limita o crescimento das despesas primárias do orçamento ao índice de inflação de cada ano.
Isso quer dizer que nenhum dos pagamentos feitos pelo governo – incluindo investimentos em infraestrutura, serviços e folha de pessoal – com exceção dos gastos financeiros, como pagamento da dívida pública, por exemplo, poderá receber aumento orçamentário real nas próximas duas décadas.
Na prática, essa emenda amarra os orçamentos futuros, desde sua promulgação e até quando perder a validade. Seus efeitos vêm sendo sentidos nos orçamentos deste ano e do ano passado, e são visíveis também no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) que tramita no Congresso Nacional sob o número 27/18, de relatoria do senador Waldemir Moka (MDB/MS).

Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16 

A mais polêmica das PECs, essa proposta de reforma da previdência é derivada direta a EC 95. Na época do início de sua tramitação, chegou-se a dizer que uma não poderia existir sem a outra, formando uma tríade com o projeto de mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Entre outras coisas, o projeto prevê aumento da idade mínima para homens e mulheres, extinção da modalidade de aposentadoria por tempo de contribuição, fim do direito à paridade e integralidade dos servidores públicos que ingressaram na carreira até 2003, novas regras de assistência a idosos pobres e pessoas com deficiência e limites para o recebimento de pensão por morte.
Durante os 15 meses em que tramitou na Câmara dos Deputados, a PEC 287 sofreu inúmeras alterações, inclusive se descolando da proposta original enviada pelo Poder Executivo. Mesmo assim, o número de apoiadores da medida estava longe do necessário para a aprovação em dois turnos na Câmara e outros dois no Senado.
A derrocada do projeto pode ser explicada por a três fatores principais. A forte mobilização da sociedade civil organizada: grupos populares, sindicatos e associações – como a ANAJUSTRA – pressionaram os parlamentares desde o início do projeto mostrando quão descabido era o texto. A aproximação do período eleitoral: com a sociedade de olho, deputados e senadores não quiseram arriscar uma exposição negativa. E a intervenção militar no estado do Rio de Janeiro: situação que suspendeu a tramitação de toda e qualquer PEC, segundo as normas constitucionais.

Projeto de Lei do Senado (PLS) 116/17 

Outra proposta com forte rejeição popular e que está com a tramitação estagnada, é essa proposta feita pela senadora Maria do Carmo Alves (DEM/SE). O projeto prevê a adoção de uma avaliação periódica de desempenho para que se fundamente a demissão de servidor público estável com níveis de produtividade abaixo do estipulado pelo texto.
Enviado ao Senado em abril de 2017, o PLS 116/17 começou com uma tramitação bastante rápida em relação a outras pautas, estando pronto para deliberação no Plenário da Casa em setembro do mesmo ano. Esse fato assustou a opinião pública, pois demonstrou o interesse dos legisladores pela matéria.
Mais uma vez, a mobilização das entidades representativas dos servidores foi definitiva fazendo com que se aprovasse um requerimento que previa a passagem do projeto pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), antes da apreciação no Plenário. Em dezembro do ano passado, também foi pedido que o PLS passasse pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), requerimento que até hoje não foi avaliado.
Rejeitado por 78% dos votantes em enquete no portal do Senado, este PLS encontra-se estagnado desde então.

Projeto de Lei (PL) 3.831/15 

Uma das poucas inovações legais dos últimos anos que poderiam, de fato, trazer benefícios para o conjunto dos servidores públicos. Esse PL estabelece normas gerais para a negociação coletiva na administração pública direta, nas autarquias e nas fundações públicas dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
A norma que mais se destaca, no conjunto do projeto, é a imposição à Administração Pública do dever de implementar o processo de negociação coletiva, sob pena de se caracterizar infração disciplinar, em caso de descumprimento. A instituição do instrumento no âmbito do poder público visa sanar divergências entre a administração e os servidores, evitando saídas mais drásticas como greves e paralisações, por exemplo.
No início deste ano, o PL havia sido aprovado pelas duas casas do Congresso Nacional, mas foi vetado integralmente pelo presidente Michel Temer. A justificativa, publicada em março no Diário Oficial da União (DOU), é de que o PL continha vícios formais de iniciativa – uma vez que a regulação da matéria deveria ser tratada pelo presidente da república – e por invadir competência de outros entes federativos. Assim, a questão que é um velho anseio dos servidores, ficou novamente em aberto.

Recurso Extraordinário (RE) 565.089 e Sugestão Legislativa (SUG) 1/2018 

A data-base para o reajuste salarial é outra reivindicação antiga do funcionalismo. Prática fundamental no âmbito do direito do trabalho, o estabelecimento de uma data para a discussão da correção salarial e das condições de trabalho está presente tanto no Judiciário – sob o RE 5965.089, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) –, quanto no legislativo – através da Sugestão 1/2018 – transformada em projeto de lei no Senado.
No Supremo, o assunto chegou a ser pautado em junho deste ano, pouco antes do recesso da Corte. Entretanto, o processo não foi votado e não retornou à pauta depois. O julgamento já foi iniciado e o placar até o momento é de 4 votos a 3, pelo desprovimento do recurso e contra o reconhecimento da data-base. Faltam os pareceres dos ministros: Celso de Mello, Dias Toffolli, Edson Fachin e Ricardo Lewandowski.
Já no Senado, a proposta foi feita via portal e-Cidadania – ferramenta que permite a participação popular nas atividades legislativas. Em maio deste ano, a Sugestão foi transformada no Projeto de Lei do Senado (PLS) 228/18 pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). O projeto agora aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Segundo enquete do e-Cidadania, quase 6 mil pessoas aprovam a medida (98% dos votantes).

Comentário – Tendência mundial 

“É bastante provável que esse movimento reformista se consolide, seja quem for o governo eleito. Essa é uma maneira de lidar com o momento econômico desfavorável, mas também segue a tendência mundial à desestatização – à qual aderem governos europeus, como o do Francês Emmanuel Macron, e também latino-americanos, como o chileno Sebastián Piñera”, analisa o assessor da ANAJUSTRA, Roberto Bucar.

Entretanto, Bucar lembra que, no caso do Brasil, é preciso fazer com que essas mudanças sejam mais bem discutidas com a população e que não escolham um bode expiatório, como vem sendo feito até agora. “Vimos um movimento absurdo na tentativa de reforma da previdência. Excluiu-se a sociedade de qualquer possibilidade de debate e o servidor público foi pego para cristo, tentando colocar na conta dele a crise financeira que o país enfrenta”, complementa.

O assessor da ANAJUSTRA lembra ainda que o que aconteceu com a reforma da previdência se repetiu em outros temas e projetos de lei e reforça que a categoria tem que ficar atenta. “O ideal é que tivéssemos um debate qualificado entre os candidatos à presidência da república, menos personalista e mais focado nas propostas de cada um para as reformas tributária, previdenciária e eleitoral que o país precisa”, reflete.

 

 

A Justiça por quem faz

Ação busca valorizar e dar visibilidade aos responsáveis por mediar conflitos e fazer valer a lei.

 

Justiça é uma ideia básica para a construção das sociedades. Séculos antes de Cristo, egípcios, gregos e romanos já tinham em suas mitologias deusas que representavam um conjunto de princípios filosóficos ligados à harmonia do povo e ao direito. Nas civilizações atuais, para além da abstração, a Justiça é uma instituição pública, responsável por mediar conflitos à luz das leis e normas vigentes.

 

Diferente das sociedades antigas, atualmente o direito não se faz por intervenção sobrenatural, mas por milhares de pessoas alinhadas a princípios e regras sociais. Servidores, magistrados, advogados, peritos. Foi para valorizar as categorias, que funcionam como engrenagens do sistema judicial, que a ANAJUSTRA criou a campanha Sou Mais Justiça.

 

A ação alia divulgação de informações sobre a estrutura do poder Judiciário no portal à publicação de conteúdo correlacionado do meio jurídico na página do Instagram. Há três anos, o Sou Mais Justiça também se integra ao calendário institucional da ANAJUSTRA distribuindo a visão dos servidores sobre como é ser parte dessa instituição. Reconhecer quem faz a Justiça é o mote deste trabalho todos os dias, nos 12 meses do ano.

 

Categoria unida e atuante

 

 

A criação da Frente Nacional Contra a Reforma da Previdência permitiu aos servidores uma atuação organizada contra a PEC 287.

 

 

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 237/2016 foi considerada uma das maiores ameaças ao Estado de bem-estar social brasileiro. A julgar pelo andamento de outras propostas, como o Teto dos Gastos e a Reforma Trabalhista, o Governo parecia ter apoio ilimitado no Congresso Nacional. Além disso, o lobby do mercado financeiro pela privatização das previdências era forte e pressionava deputados e senadores.

 

Face a esse cenário, as manifestações dispersas das diversas entidades de servidores públicos e dos milhares de cidadãos que se opunham ao projeto pareciam não surtir efeito. Foi a partir desse diagnóstico que a diretoria da ANAJUSTRA resolveu se unir a outras associações, sindicatos e organizações da sociedade civil organizada e criar a Frente Nacional Contra a Reforma da Previdência.

 

Entre dezembro de 2017 e março deste ano, o grupo colheu depoimentos de parlamentares que declaravam abertamente seu posicionamento em relação ao projeto, expondo-os à opinião pública. Além disso, a Frente promoveu manifestações na sede na Câmara e do Senado, na rua onde ficam a maioria dos apartamentos funcionais do legislativo, no aeroporto quando os congressistas voltavam de férias e durante o carnaval de Brasília.

 

Todo o trabalho nas ruas foi amparado por mobilização e distribuição de materiais informativos nas redes sociais e em um site criado a partir dos conteúdos produzidos pelo grupo. Depois da suspensão da tramitação do projeto, os integrantes das 18 entidades seguem em contato para uma possível rediscussão do tema.

Com o tema “Sou mais Justiça”, centenas de servidores participaram da campanha institucional do calendário ANAJUSTRA, que tem como objetivo representar por meio de fotografias e palavras as pessoas que atuam nos bastidores da Justiça brasileira. Conheça algumas das participações que integraram o calendário 2017.

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